Gravateando: Eu e o cara da rua de baixo

by - outubro 22, 2012



Quando você entra na adolescência sempre começa a achar que vai conhecer o amor da sua vida lá, com 13 anos de idade. Aquele cara que mistura Zac Efron com o romantismo de Shakespeare, que vai te mandar mensagem de madrugada, que vai escolher você em comparação à tantas outras. Assisti “A verdade nua e crua” uma vez, e o ator que eu nunca lembro o nome, mas que sempre acho que é o Hugh Jackman falava: “Ninguém vai se apaixonar pela sua personalidade logo de cara“. Era mais ou menos isso.

Quando eu tinha 15 anos, continuava achando que encontraria o amor da minha vida, mas que ele estava dois anos atrasados. Diferentemente de quando eu tinha 13 anos, que só queria que ele fosse romântico, fizesse academia, me mandasse sms de madrugada, soubesse tocar violão ou guitarra e cantasse pra mim, só queria que ele me amasse. Primeiro porque descobri que não gosto de nada perfeito demais, depois porque havia esperado dois anos e achava que estava na hora de alguém se apaixonar de verdade por mim.

Esperei mais um ano e fui eu quem me apaixonei por alguém.  O garoto do quarteirão do lado. Ele me ligava todos os dias no fim da tarde, me mandava sms de madrugada nos finais de semana, reunia o pessoal na sexta feira e tocava violão. Não era nada parecido com o Zac Efron mas fingia incorporar o Shakespeare. Era perfeito. E talvez o problema fosse esse.

Ele era perfeito comigo e com as outras. Mas eu estava apaixonada e nem ligava. Ele dizia que não sentia nada por nenhuma outra, mas não dizia que sentia nada por mim também.

O fim da história? O que era perfeito demais nunca me agradou. Ele era o príncipe perfeito para qualquer uma. Mas eu nunca fui daquelas que fazia o tipo princesa. Esse príncipe falsificado virou sapo. No fundo, ele queria que todas quisessem ele. E também não gostava de nenhuma. Por fim, o garoto da rua de baixo se apaixonou por mim e me mostrou realmente que esperar por ele valeu a pena. O príncipe virou sapo e o garoto da rua de baixo virou o meu garoto da rua de baixo.

Não era do tipo Shakespeare, mas me lembrava o Zac Efron por causa dos olhos azuis. Não tocava violão ou guitarra, mas era apaixonado por Yellowcard, Linkin Park e McFly. Sua voz cantando era péssima. Não me ligava no fim da tarde, mas me acompanhava até em casa depois da aula. Me mandava mensagem de boa noite durante a semana e durante a madruga no final de semana. Era perfeito do seu modo. Mas o melhor de tudo: do jeito incerto, ele era exatamente o cara que me deixava feliz. O garoto da rua de baixo era, com certeza, o cara que eu havia esperado. E que agora eu tinha.

Quem escreveu esse texto foi a Julia Rodrigues, blogueira do Falando Sozinha que twitta (@juliarodrigss). Achei incrível esse texto e achei digno pra compartilhar! Um dos primeiros textos da tag Gravateando. Se você quer participar, envie seu texto para contato@nosnagravata.com. Quem sabe você aparece por aqui, né?

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