Na contra mão

by - outubro 22, 2012


A vida é como uma faixa de pedestres. E a faixa parece não ter mais sentido. As pessoas desejam passar, mas os carros não nos permitem isso. Pra ser sincera, os carros (que no caso, as pessoas) não vão se importar muito se você demorar ali esperando. Elas se tornaram egoístas a ponto de não se colocar no lugar do outro.

E eu não me conformo com tudo isso. Talvez seja isso que não faz mais eu conseguir me permitir. Porque eu não acredito mais que as tais faixas de pedestres sirvam para alguma coisa. Sabe, é fácil permitir que as pessoas entrem em nossas vidas, mas é difícil quando a gente sabe que elas, algum dia, vão embora. E talvez isso cause medo em mim.

E continuo a pensar: será que ao menos uma faixa de pedestre valha a pena? Tenho receio de esperar muito até passar para o outro lado. Aliás, meu medo não é o tempo, meu receio é chegar do outro lado e ver que nada valeu a pena. Que aquele tempo que eu fiquei do outro lado tentando passar foi perdido.

Talvez esse seja mais uma daquelas metáforas complexas que a vida me colocou a escrever. Mas, sabe, entendi que as coisas não são fáceis. E que nada vem do céu. Tudo bem até aí. Mas andar na contra mão uma hora dessas não é uma boa pra mim. Não estou no momento de esperar pra saber se vai valer a pena.

Hoje eu fiz uma amizade em uma dessas avenidas bem movimentadas e cheio de faixas. Mas vi que talvez aquele tempo perdido no sol me fez ver que o meu anseio pelo outro é criar expectativas. E é justamente o que eu não fiz nesses últimos meses. E mesmo que eu não o tenha feito, eu sinto um aperto aqui dentro. Talvez seja a intuição. Ou a emoção, sei lá. Já não sei mais o que eu sinto.

Sabe? A única coisa que guardo aqui dentro não são as histórias anteriores que tentei viver, muito menos as ligações ao acordar, nem as mensagens perdidas e nem as madrugadas de sorrisos... Na verdade, o que eu sinto ninguém vai entender. Por isso, eu prefiro continuar sendo a complexa cheia de paradoxos e continuar falando coisas sem sentido.

Eu acabei me tornando isso: nostálgica sem motivo. Aliás, saudade sem nunca ter vivenciado. E, sinceramente, prefiro continuar aqui, intacta e ter a certeza de que a contra mão é um paradigma que eu jamais vou tentar me esconder, mas se eu puder, evitarei.

Enquanto eu puder, eu farei. Mas só até enquanto eu puder suportar todo esse Sol que me atinge e acaba destratando a minha pele. Sabe, eu nunca fui daquelas de andar cem por cento com a pele perfeita. Praticar as dicas pra ter o cabelo com fios perfeitos são de longes os meus passatempos favoritos. Mas acordar e saber que estava ali: isso não tem preço.

Enquanto eu vivo a minha vida leve e solta (eu penso), você vive a sua vida na contra mão. Talvez você - apesar de dizer todas aquelas palavras - queira isso mesmo. Viver sem se prender a alguém. Ok, não precisa se preocupar com isso. Quanto mais eu leio sobre as borboletas, mas eu entendo as incógnitas que as pessoas ainda tentam entender.

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