Viver livre

by - novembro 14, 2012






"94,75 kg é o peso que a balança disse que eu tenho! Sim! Muito peso para 1,60 de altura e 27 anos, mas é a minha realidade que não deve, não pode e eu não quero mais que seja uma constante na minha vida."

Oie. Eu sou a Dayse Hálima e desde sempre fui a gordinha engraçada. Eu não sei dizer se ser engraçada foi um escape para o trauma de estar acima do peso, se estar acima do peso nunca foi um problema mesmo, ou se essa é uma crise existencial passageira. O fato é que sou gorda e isso não é engraçado!

Eu nunca tive problemas em dizer o quanto pesava e vivi bem com eu corpo até 2009, ano em que casei. Por 10 meses eu planejei um casamento de contos-de-fada que envolvia príncipe, cerimônia ao ar livre, cavalo, carruagem, muita felicidade e uma noiva plus size não combinava naquele cenário.

Eu estava determinada, só que tinha pouco tempo. A cenoura, sibutramina e o Herbalife viraram meus melhores amigos e rompemos em outubro de 2009 no dia em que eu disse sim e deixei de ser noiva pra virar esposa com menos 20 kg. Eu estava radiante, feliz e no meu melhor corpo. A tendência era, agora que eu teria todo o tempo do mundo, me dedicar aos exercícios, à boa alimentação, viver leve, perder mais 10 kg e chegar ao peso que a nutricionista dizia ser o ideal: 60kg. Ledo engano.

Uns seis meses depois de casada eu já tinha reconquistado aqueles 20 kg e mais alguns e meus joelhos tinham que suportar os 90 e tantos quilos novamente. Abri mão de viver leve, pra viver a fase “eu como o que eu quiser”. Me ferrei.

Hoje, três anos depois de casada eu sofro as consequências do meu desatino por comida e uma vida sem regras saudáveis. Tenho dores na coluna que me levam para o hospital mês sim e outro também, meus pés parecem pães sovados de tão inchados que ficam no fim do dia. Dou três passos e preciso de 10 copos de água... estou sempre cansada.  Quero ser mãe e não consigo engravidar e se engravidar poder ser uma gravidez de risco. Consequências!

Eu já tentei milhares de dietas, de remédios, de loucuras e nada está dando certo. Falei sobre isso no meu blog Diário de Dieta da Dayse, cansei de pagar mico por lá e dei um tempo no blog. Mas cheguei à conclusão que nada está dando certo porque eu não tenho me esforçado do jeito que devo. E acho que esse é o maior problema entre as fofas de plantão. Só que ontem uma luz piscou na minha cabeça. Foi diferente de tudo que já passei e nesse momento estou arrepiada por lembrar. Entendam.

Ontem fui acompanhar a Eloá, minha melhor amiga, na nutricionista. Até março a Eloá pesava mais de 110 kg. Ela é linda, linda mesmo! Inteligente, comunicativa, determinada, mas também sofria por estar acima do peso. Em março ela fez uma cirurgia de redução de estômago e hoje está com 70 kg e mais radiante do que nunca. Ela está fazendo tudo certinho: alimentação adequada, exercício físico, acompanhamento médico e expulsou ‘a gorda’ que morava na cabeça dela. Voltando a consulta com a nutricionista... quando entramos no consultório a médica fez uma cara de surpresa, espanto e alegria. “Eloá, como você está bem”! De fato, ela está ótima... A luz que se acendeu na minha cabeça foi por conta de algumas coisas que a nutricionista disse que eu acho que até já sabia, mas a gente (eu) tem mania de deixar de escanteio porque parece difícil.

  1. Não existe milagre para emagrecer

  2. A cirurgia de estômago não é estética

  3. Por que as pessoas preferem ficar jogadas no sofá a correr na esteira?

  4. Melhor um prato de salada do que me acabar na culpa pós Fast Food

  5. Não adianta eu intermediar a briga entre o magro que mora no meu estômago e o gordo que mora na minha cabeça. Tenho que eliminar o gordo


Isso foi um tapa na minha cara. É tudo muito óbvio e eu deixando pra depois. Mas esse depois vai até quando? Daqui três anos chego aos 30. E vai ser sem saúde? Não quero! 94,75 kg é o peso que a balança disse que eu tenho! Sim! Muito peso pra 1,60 de altura e 27 anos, mas é a minha realidade que não deve, não pode e eu não quero mais que seja uma constante na minha vida.

E estou aqui para ser ajudada e para ajudar. Vamos dividir nossas experiências, nossas angustias, as derrotas para o chocolate e as vitórias sob a balança. Estão dispostas?

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1 comentários

  1. Ótimo texto. Vencer a gente mesmo é o maior desafio. Temos que continuar tentando.

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