Perdida no escuro

by - janeiro 24, 2013

quarto Já faz um tempinho né? Parecem meses encurralados dentro daquela caixa de fósforo. Ultimamente eu tenho entrado em choque comigo mesmo: não consigo aceitar pedidos antigos e nem entender os novos. E vou até ser sincera pra quem desejar ler esse texto: talvez você não vá entender nada. Eu prefiro que seja assim mesmo. Meus medos, sonhos, anseios e desejos só cabem dentro de mim. É claro que eu grito sempre como um pedido de socorro, mas as vozes ecoam e voltam sempre. De vez em quando desabafo com desconhecidos e acabo criando laços de amizades. Esses que sei que permitem ser eu mesma. A melhor coisa do mundo é ser você mesma e as pessoas gostarem de você como você é. Sem medos. Sem vergonhas. Sem fracassos. Mas algumas vezes eu me decepciono. Quem nunca, não é mesmo? Pensei que a dor da decepção explícita fosse a pior. Mas não. A decepção oculta, aquela que ele finge querer algo e, na verdade, esconde por trás de sorrisos e palavras o que ele realmente pensa. Aquela decepção em que desconfiamos, mas não temos certeza. Mas a verdade é que aquilo mesmo que a gente costumava imaginar. Porque quando alguém te diz verdades - mesmo aquelas mais horríveis possíveis - ela disse algo. Não escondeu. Mas quando alguém esconde a vergonha ou o pavor por não querer estar ao seu lado (e está), é pior ainda. Me sinto meio envergonhada de mim mesmo. E fico pensando "eu poderia ser melhor". Mas acredite: estou dando o melhor que há em mim. E muito mais que isso. Estou me reinventando. Mas não se passa pela cabeça das pessoas que fazemos esforços pra sermos o melhor pra alguém. Quando, muitas vezes, não precisava disso tudo. Porque você sempre foi o melhor pra você mesmo. E talvez isso basta. Só por hoje não quero mais me lamentar por eu ser eu mesma. Por eu gostar de mim assim como eu sou. Gosto de mim porque sei que me esforço pra ser melhor pra alguém. Só por hoje não quero saber se vale a pena ou não. Estou tentando fazer algo. E só em tentar eu fico feliz. E quanto aos outros: só lamento. As vidas se vão. Se transformam. E eu não vou mais temer o novo. Desculpa, mas essa escuridão me incomoda. O silêncio me incomoda. As vozes que gritam dentro de mim continuam me incomodando. O mundo todo já sabe disso. Dessa dor obscura. Desse silêncio fracassado. Eu realmente estou tentando mentir pra mim mesma que seria algo, mas eu não consigo.

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