Superando uma dor

by - janeiro 02, 2013

flores-chapéu-pés Éramos muito amigos. Ele, um cara completamente introvertido, mas compensava quando falava. Era metido a nerd. E eu gostava disso. Caras inteligentes me atraem, mas esse era O cara. Era incrível, porque conversávamos de tudo: de brincadeiras bobas de crianças a papos mais sérios. Aqueles mais adultos, sabe. Ele gostava de usar aqueles óculos bem fashion. Eu gostava do modo como ele enrolava ao falar as palavras que tinham "r" pelo meio. Mas, no fundo, o que me encantava mesmo era seu sorriso sincero. Aliás, fica complicado de dizer o que me chamava mais a atenção nele, até porque o olhar era extremamente cativante. E o melhor: éramos namorados. Mas nem parecia, sabe. Quando estávamos juntos, parecíamos duas crianças: enquanto eu estava aqui, ele estava insultando comigo. Só de birra mesmo. Mas eu gostava disso. Sei lá o que aconteceu de uns tempos pra cá. Mas a minha vida mudou drasticamente: meu pai foi transferido para outra cidade. E adivinha? Eu tive que ir junto. Aquele amor de dois anos teve que ser rompido. Não, não fiquei bem durante meses. Durante muito tempo, antes dessa mudança acontecer, eu tentei fugir com o homem da minha vida. Afinal, eram mais de dois anos que eu o namorava. Foi terrível ter que sair do lugar onde sempre morei para ir para outro lugar. Uma espécie de mudança avassaladora. Eu não queria ir, não tinha motivos pra isso. Apesar daquela minha ideia maluca - a de fugir com ele - não ter dado certo, eu percebi que havia um erro. Nossa dor era muito grande, mas ele percebeu que estávamos errados em seguir adiante, afinal éramos apenas adolescentes. Chegando na nova cidade, eu mal saía de casa. Não gostava de ir a escola e muito menos queria conhecer pessoas novas. Essa foi a fase da minha vida que eu me tranquei completamente. Eu não queria mais nada, a não ser aquele grande amor. Como eu sentia falta daquele cara que era o meu. Seria. E até foi por um tempo, mas era tudo muito recente. Eu não podia acreditar. Até que um dia o meu vizinho (se chama Rian) começou a me perturbar. Sim, ele vinha atrás de mim todos os dias e me perguntava o que acontecia comigo. Ele realmente desejava saber porque uma menina bonita como eu (é o que ele dizia) estava sempre tão triste e se tornara introvertida, calada. Realmente, eu sempre fui bastante alegre, cheio de energia pra dar e pra vender. Mas era difícil amar e ser impedida de amar. O motivo? Era essa distância. E eu precisava contar isso pra alguém, desabafar. E foi aí que Rian entrou na minha vida. Ele era meio tonto e me fazia rir mesmo sem ter intenção. Adoro esse tipo de coisa. E pra me surpreender mais ainda: ele tocava violão. Será que fui sortuda em conhecer alguém assim? Sempre gostei de caras que se apaixonassem pela arte. E mais ainda: ele sentia a música. Mas o que foi mais incrível nessa história toda: ele me ajudou a superar a dor e me fez ver que aquele amor antigo não era o único no mundo. Muitas vezes vivenciamos momentos importantes com alguém que faz o nosso tipo, mas não imaginamos que, ao deixarmos para trás esse alguém, encontramos um alguém que não nos completa, mas nos transborda. Essa palavra que nos transforma em alguém melhor. E por mais que vejamos outros caras tão incríveis, não deixamos de lado aquele que a gente encontrou. Porque, na verdade, não basta que ele seja incrível, ele tem que ser mais que isso. E é justamente o que o Rian é pra mim. Ele me transborda. Esse foi mais um conto de amor baseado em duas histórias reais e com ideias diferentes, mas com um único propósito: a vida nos tira o que é bom para dar algo melhor ainda. Não fique chateado(a) porque algo acabou. E eu ainda acredito: tudo acontece por um motivo. post-feito-karine-clessia

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