Éramos diferentes

by - fevereiro 13, 2013

cara-diferente Você gostava de café. E eu de chá. Preferia luta. E eu ballet. Você era bastante eclético. E eu jurava também ser, até te conhecer. Sim, porque eu gostava de muitos estilos de música, mas não todas assim desse jeito como você gostava. Eu sempre preferi o frio. E pra você o calor cairia melhor. Eu nunca gostei de festas. Mas você frequentava shows e baladas. E esse era o seu mundo: festas. Sabe eu nunca gostei de ficar com vários garotos assim nesses carnavais que costumamos ver. Mas você adorava esse tipo de coisa. Talvez eu nunca entenda mesmo as diferenças que nós tínhamos. Eu ficava em casa, enquanto você saía. Eu sabia que não daria certo. Mas sabe o que mais odeio em você? O seu silêncio. Você nunca foi capaz de dizer pra você e declarar pra mim o que sente. Isso me remoía. O seu silêncio me incomodava. Você dizia, mas não falava. Acho que falava de um jeito estranho como se tivesse medo. Medo de que eu desse a volta por cima. Ou que perdesse o tom de voz. Sei lá. Só sei que tinha medo das palavras. Lembra daquele dia que você disse que eu cuidava bem de você? Talvez não fosse isso, eu apenas estava lá sem saber o que ou como fazer. Me senti estranha todas as vezes que estava ao seu lado. Não me sentia segura, porque faltava algo mais em mim do que você. E até hoje não descobri o que. Mas me sinto inteira e talvez seja a minha chave verdadeira. Quando abri a caixinha que tinha guardado há um tempo atrás, saberia que tinha algo de especial: não era nada de valor para as pessoas grandes (como diz aquele meu livro fofo favorito), mas tinha algo bem mais que isso... uma dose de carinho e felicidade. São coisas que eu nunca disse, afinal não se diz o que sente. Ou o que não sente. Sou meio confusa mesmo. E talvez seja isso: uma dose de confusão com felicidade, um pouco de amor com estranha saudade, mais um pouco de carinho e lá se vai todo o ingrediente. Éramos muito diferentes, mas se tivéssemos dosado teria dado certo. Ah, mas quer saber? Deixa pra lá. Se eu não contar, ninguém vai saber. Aproveita enquanto você pode. Porque estou aqui fazendo o mesmo. E, claro, com as lembranças que você me permitiu deixar.

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