Gravateando: Tipo amor de Julieta e Romeu

by - dezembro 18, 2013

teatro amor de julieta e romeu

"Droga. Eu não posso acreditar que estou aqui nesse maldito camarim esperando a próxima cena, eu não sei o que eu tinha na cabeça no momento em que aceitei fazer parte dessa peça teatral. “Tudo bem, é uma peça para a comunidade carente, você está fazendo o bem Felipe”, pensei tentando relaxar. Isso não está certo, não era pra ser assim, não era para eu estar aqui sozinho sem a Luiza, ela prometeu que estaria ao meu lado. Mas ela não está.

“Você deveria ter caído fora” pensei em voz alta. Eu deveria, eu deveria ter caído fora sim. Eu deveria ter dito para a Sra. Lourdes que eu simplesmente não conseguiria vir aqui e interpretar o Romeu quando a Julieta é minha ex namorada, ex namorada de apenas duas semanas. Ex namorada que eu amo e que acabou comigo porque está balançada por outro babaca. As mulheres sempre pensam que só elas sofrem por amor, mas isso não é verdade.
- Felipe, você vai entrar na próxima cena – ouvi alguém falar do outro lado da porta.
Pisquei para mim mesmo enquanto me olhava no espelho, meu cabelo estava péssimo, minha cara pior ainda. Arrumei meus cadarços e sai em direção ao palco improvisado. A plateia parecia se divertir com a peça natalina mesclada com o clássico Romeu e Julieta.
- Estou nervosa – disse ela. Aquela voz doce e rouca que eu reconheceria em qualquer lugar do planeta.
- Calma – eu sorri em resposta a ela – vai dar tudo certo.
Ela me olhou e sorriu de volta, quem acreditaria num babaca como eu falando essas babaquices? Eu estava tenso e morrendo de medo de cair e pagar o maior vexame.
- É bom te ter aqui, Fe.

Meu coração parou, ou quase isso. Era bom? Por que diabos então você não volta pra mim? Eu nunca gostei de ninguém, mas eu te amo... Eu nem acredito que depois de um ano eu criei coragem para pedir você em namoro e apenas seis meses depois você simplesmente me pede um maldito tempo.

Eu me sinto estranho sentindo isso, mas eu gosto dela, do cheiro, do sorriso, da pele, dos braços finos, da falha que ela tem na sobrancelha esquerda. Eu gosto do coração bondoso e ciumento e dos palavrões que ela solta quando algum personagem de filme faz algo ignorante. Eu sei que ela pode não ser a última que amarei, mas no momento ela é a única que amo.
- É bom estar aqui contigo – soltei um suspiro.
- Entrem – ouvimos e nos dirigimos ao palco pela última vez na noite.
Luiza, ou melhor, Julieta pegou minha mão e caminhamos ao centro do palco.
- Eu nunca tive um Natal tão bom quanto esse - ela sorrio e virou-se de frente para mim.
- Ele pode melhorar ainda mais.
Então eu me aproximei e a beijei. Beijei Julieta, beijei Luiza, beijei a minha garota. A beijei como se fosse à última vez, porque infelizmente podia ser sim, a última vez em que meus lábios tocavam os dela."

Esse texto foi escrito por Patrícia Vanzin. Para saber mais sobre ela: blog, facebook, youtube, instagram, twitter. Você escrever textos e quer participar da tag Gravateando? Então saiba mais como fazer lendo esse post.

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2 comentários

  1. Obrigada pela oportunidade Ka, espero que gostem do meu texto <3
    http://theclassicblack.blogspot.com.br

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  2. Karine Clessia18 dezembro, 2013

    Seu texto mereceu aparecer aqui! :)

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