Resenha: A Estrada da Noite

by - fevereiro 16, 2014

joehill


Já diz o ditado "filho de peixe, peixinho é" e Joe Hill é filho de um consagrado (peixe) autor de livros de horror e, claro, seguiu os passos do pai, Stephen King.

A Estrada da Noite conta a história de uma lenda do rock pesado, o cinquentão Judas Coyne que coleciona objetos macabros: um livro de receitas para canibais, uma confissão de uma bruxa de 300 anos atrás, um laço usado num enforcamento, uma fita com cenas reais de assassinato (bizarrice total, gente!). Por isso, quando fica sabendo de um estranho leilão na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta. E oferta não poderia ser mais bizarra: "Vou ´vender´ o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto..." Por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono.

Sempre às voltas com seus próprios fantasmas - o pai violento, as mulheres que usou e descartou, os colegas de banda que traiu -, Jude não tem medo de encarar mais um. Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração. Desta vez, não se trata de uma curiosidade inofensiva nem de um fantasma imaginário. Sua presença é real e ameaçadora.

O espírito parece estar em todos os lugares, à espreita, balançando na mão cadavérica uma lâmina reluzente - verdadeira sentença de morte. O roqueiro logo descobre que o fantasma não entrou na sua vida por acaso e só sairá dela depois de se vingar. O morto é Craddock McDermott, o padrasto de uma fã - e ex namorada - que cometeu suicídio depois de ser abandonada por Jude.

Numa corrida desesperada para salvar sua vida, Jude faz as malas e cai na estrada com sua jovem namorada gótica. Durante a perseguição implacável do fantasma, o astro do rock é obrigado a enfrentar seu passado em busca de uma saída para o futuro. As verdadeiras motivações de vivos e mortos vão se revelando pouco a pouco em A estrada da noite - e nada é exatamente o que parece.

A sinopse já é gigante em si e já nos deixa curiosos sobre o que vai acontecer no livro, mas aqui não tem nem um quarto da história. Ela é muito mais incrível e interessante por trás de tudo isso.

Joe Hill soube muito bem trabalhar com elementos sobrenaturais, adicionando a ideia do pendulo para dar personalidade ao fantasma. Alias, os personagens foram muito bem trabalhados. Recebendo características marcantes e destinos surpreendentes. Sem contar que Judas apelidava as suas namoradas pelo nome das cidades em que elas vieram.

Sobre os elementos de terror, eu não costumo sentir medo dessas coisas sobrenaturais (e acho que filmes de terror só servem para me fazer rir de algumas cenas sem noção), então, pra mim, o livro é mais aquele suspense de: será que ele vai fugir do fantasma? Será que ele e a Georgia irão sobreviver? Será? Será? Será?

Mas em suma, o livro é simplesmente incrível. Com um final surpreendente, sério! Vão logo lê-lo, que vale a pena. O moço realmente tem talento para isso, herdou do pai!

Último detalhe que preciso confessar uma coisa pra vocês: eu comprei este livro no impulso, sem nem conhecer o autor e NUNCA ter lido uma obra do seu pai (mas já providenciei um livro do Stephen para ler!). O problema é que eu sou uma bookholic assumida e não resisti quando vi que ele estava dez reais e não podia perder a oportunidade (mentira galera, esse livro ta sempre dez reais nas promoções do submarino, fiquem de olho! Eu que sou impulsiva e comprei ele na primeira vez que vi na promoção, achando que era a última oportunidade). E naquele momento eu nem imagina o quão bom ele seria e o quanto iria amá-lo.

Vocês já leram alguma obra do Joe Hill? O que acharam do livro? Comentem!

PS: A foto é da Karine Monteiro, se pegar, por favor, credite.

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