Resenha: Precisamos Falar Sobre o Kevin

by - abril 26, 2014

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Há alguns anos nos deparamos com o plantão da globo noticiando o massacre em uma escola do Rio de Janeiro, onde doze alunos morreram após um jovem invadir a escola armado com dois revolveres e disparar nos alunos presentes.


Após a chacina, o autor dos disparamos se suicidou. Na época do ocorrido todas as noticias se voltavam apenas ao autor do massacre e as famílias das vítimas. Mas nunca mostravam como estava sendo a vida da família do autor do crime. Em Precisamos Falar Sobre o Kevin, Lionel Shiriver foca na vida da mãe de um dos responsáveis por uma chacina.


Aos 15 anos, Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.


Transposto o primeiro estágio da perplexidade, um ano e oito meses depois, ela dá início a uma correspondência com o marido, único interlocutor capaz de entender a tragédia, apesar de ausente. Cada carta é uma ode e uma desconstrução do amor. Não sobra uma só emoção inaudita no relato da mulher de ascendência armênia, até então uma bem-sucedida autora de guias de viagem.


Cada detalhe do histórico familiar é flagrado: o casal se apaixona; ele quer filhos, ela não. Kevin é um menino entediado e cruel empenhado em aterrorizar babás e vizinhos. Eva tenta cumprir mecanicamente os ritos maternos, até que nasce uma filha realmente querida. A essa altura, as relações familiares já estão viciadas. Contudo, é à mãe que resta a tarefa de visitar o "sociopata inatingível" que ela gerou, numa casa de correção para menores.


Orgulhoso da fama de bandido notório, ele não a recebe bem de início, mas ela insiste nos encontros quinzenais. Por meio de Eva, Lionel Shriver quebra o silêncio que costuma se impor após esse tipo de drama e expõe o indizível sobre as frágeis nuances das relações entre pais e filhos num romance irretocável.


O livro todo é narrado por cartas escritas por Eva onde ela conta para o marido acontecimentos de sua vida e relembra o passado. Este tipo de narração facilitou para nos envolvermos na história, era como se ela realmente estivesse contando para nós o que aconteceu. É uma maneira mais fácil de poder entender o que Eva estava sentindo e como ela se sentia, era muito pessoal.


Enquanto Eva narrava as conversas que tinha na prisão com o filho, podemos ver por trás da mascara de presidiário machão, algo que não vimos em todo o livro. Uma das partes que eu mais gostei é quando ela pergunta para ele por quê ele havia assassinada tantas pessoas e ele responde: "Não sei." Na época em que Kevin planejou todo o crime, ele acreditava que sabia o por quê de estar fazendo aquilo, mas depois de alguns anos ele não tem mais certeza.


Kevin inclusive mostra-se uma pessoa completamente diferente quando está prestes a completar dezoito anos e se mudar para um presidio comum. Ele trata a mãe diferente e ainda a agradece quando ela diz que irá continuar visitando-o. Kevin nunca havia agradecido a Eva, nem quando ele era criança.


É um dos momentos mais emocionantes do livro, quando o ele percebe que nada foi como ele planejou, por mais que ele tivesse passado os últimos anos dizendo que o crime tinha sido perfeito, talvez um único detalhe tenha atrapalhado, e todos os outros que surgiram depois dele eram amadores, que a prisão não era tão boa assim e logo logo ele seria maior de idade e tudo ficaria mais difícil, e para suportar isso, ele precisaria da mãe.


O foco maior do livro é nos colocar na vida dos familiares do assassino. Vai além de uma história sobre uma chacina em uma escola dos Estados Unidos, é mostrar como é viver com a culpa de um crime que você não cometeu. Afinal, é o seu filho e não importa o quão bem você o criou, se ele cometeu um crime, você carregará a culpa junto. E Eva demonstra muito bem como é viver com medo de encontrar a mãe de uma das vitimas no supermercado, como é enfrentar os olhos acusadores das pessoas e acima de tudo, como é viver com medo do seu próprio filho.


Vocês já leram ou assistiram o filme? Se interessaram pelo livro? Comentem!


leia todos dekarine monteiro

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2 comentários

  1. Já tinha ouvido falar sobre o filme não sabia que era uma adaptação,achei a resenha forte,queria ver o filme agora também quero ler o livro. Bjus
    Orquídea Negra

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  2. Eu queria muito ter lido antes de ter visto o filme!! Achei o filme perturbador rs
    Uma história meio doida ne?

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